12 de fev de 2012

O PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO NA ESCOLA - A EVOLUÇÃO DA CONDIÇÃO SOCIAL DA CRIANÇA


 A proposta de socialização da criança na escola vai muito além da integração de uma
criança abstrata a uma sociedade harmônica, através de um processo de escolarização. A
criança participa do contexto social, logo, há toda uma projeção- marcada por
determinantes históricos e sociais – que visa moldar uma socialização para a
criança através, também, do cenário escolar.
A ideia que se tem da relação escola/Família é responsável pela educação moral de
uma criança tem seus fundamnentos históricos, quando na transição do cenário medieval
para o moderno, as crianças passaram a conhecer uma nova forma de interação social. À
priori, em relação à família. Pois, a partir do século XVIII, com a burguesia, veio surgir a
chamada família moderna, onde se instalava a intimidade familiar, a vida privada, o
sentimento de união afetiva entre o casal e entre pais e filhos. E sob a influencia dos
reformadores moralistas, a aprendizagem social das crianças vai deixando de ser por
meio do contato com adultos, e sendo através da escola. Como afirma Ariés: “a família e a
escola tiram juntos a criança da sociedade dos adultos”.
O termo infância surge, mas desde já, como reflexo de interesses de uma sociedade
capitalista( burguesia ) padrões morais e de comportamento são instituidos para
crianças.O que vem determinar a dupla face da infância: inocente e má. É inocente
quando a criança atende ao que lhe foi instituido, e é má quando deixa de atendê-lo.
A natureza infantil não se limita a fatores biológicos, mas também se traduz por meo
de fatores sociais. Crianças de classes sociais diferentes tem diferentes formações, seja
social ou biológica. Logo, não existe uma natureza infantil, e sim condições de ser
criança.
Em termos pedagógicos e psicológicos não se pode ter a idealização de criança
abstrata, mas vê-la como um ser socialmente determinado, considerando seu período
histórico e condições sociais.
A Pedagogia tradicional tem a ideia de que a criança não será corrompida se for
adequadamente educada.. Já a Pedagogia nova afirma que a criança é um ser ingênuo,
sendo corrompido caso não haja respeito e proteção. Assim, a escola deve atuar como
passagem do mundo infantil para o mundo adulto, levando em conta as expectativas da
sociedade quanto à formação da criança.
A escola fica, inclusive na atualidade, rsponsável por promover a integração da
criança à sociedade. Como afirma Charlot , a socialização e a integração social não são a
mesma coisa; A criança já nasce socializada, pois pertence a uma dimensão social
previamente instituída. O que ela necessita é adaptar-se a essa condição social,
passando, assim, a integrar-se socialmente. E é ai que entra a função da escola. Ela é
uma agência socializadora de uma sociedade que se afirma democrática.
A escola não é neutra; ela é um instrumento de dominação. Percebe-se também a
heterogeneidade de classes em seu âmbito, onde, na maioria dos casos, a classe
dominante é mais relevante que a dominada. A esse passo, a escola atua como
reprodutora das distintas classes e condições sociais..
A educação deve ser garantida a todos. O que requer da escola um posicionamento
que viabilize o alcance desse direito às classes mais suprimidas.
A classe social em que se insere a família irá determinar os aspectos internalizados
por ela, o veículo da internalização.
Por mais que estejam interralacionadas quanto à educação da criança, a família e a
escola têm métodos distintos de internalizar novos conteúdos à mesma.
Um dos veículos mais importantes nessa relação escola/socialização é a imagem do
professor, que por sua vez, é veículo para estabelecimento dos vínculos básicos e
essenciais entre a criança ( na condição de aluno ) e o mundo social.
Sobretudo, é indispensável a consciência da escola quanto à realidade social da
criança, o que, sem dúvida, norteará caminhos mais eficazes de socialização da criança
na escola.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

LANE, Silva T.M.; CODO, Wanderley. ( Orgs ). Psicologia Social: O homem em movimento.
2 ed. - São Paulo; Brasiliense, 1985.