13 de mar de 2011

Como saber se estou contextualizado ou mundanizado?



APRESENTAÇÃO




Nos dias atuais, muitos “cristãos” no afã de conquistar o mundo, modifica os conteúdos da mensagem do evangelho tornando-a mais “aceitável”. E aí sem ponderar os meios para ganhar almas para Cristo tornam-se mundanos.
Tornou-se muito comum se ouvir falar em blocos carnavalescos “evangélicos”, arraial junino “cristão”, ficar gospel e tantos outros neologismos.
Até onde posso ir em minha contextualização?
Como seria se Jesus vivesse nos dias atuais?
Por onde ele andaria?
Que mensagem ele apresentaria?
Você conhece a fórmula ESPQFJ?

E – EM
S – SEUS
P – PASSOS
Q – QUE
F – FARIA
J – JESUS?




CONTEXTO HISTÓRICO
 
TEXTO: I Co 9:20;22. "Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus;para os que vivem sob o regime da lei, como  se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei".
I Co 9:22 " Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos.Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns."




A capital comercial da Grécia, Corinto, era a quintessência da sofisticação metropolitana na região1. Atenas era o centro da vida acadêmica, mas o Corinto prático gostava de pensar que eles, também, estavam em dia com as últimas idéias. A prostituição no templo era um grande negócio no templo de Afrodite (deusa do amor). Rua abaixo estava o templo de Esculápío, o deus da cura. De fato, mesmo décadas depois, após todos os doze templos pagãos terem sido convertidos em igrejas em Corinto, o templo da cura continuava a ser freqüentado. A cidade de Corinto abrigava judeus, gregos e romanos. Portanto, havia uma miscigenação de raças e de cultura2.
ANALISANDO O TEXTO

O que Paulo queria dizer? Seria adaptar o evangelho ao gosto do auditório? Sacrificar a mensagem do evangelho para alcançar almas? Pode tudo em nome no evangelho? Não! Paulo falava de sacrifício pessoal, de contextualizar a linhagem, o comportamento para alcançar almas para Cristo. Desistiria de tudo e até mesmo se tornaria um “escravo para com todos” – se isso contribuísse para a propagação do evangelho não-adulterado3. Portanto, ganhar os outros para Cristo era o alvo de Paulo. Para fazer isso, ele estava disposto a desistir de direitos e privilégios, de sua posição, seu cargo, sua subsistência, sua liberdade e, em última análise, até de sua própria vida. Se resultasse na difusão do evangelho, Paulo não reivindicaria direitos, não faria exigências, não insistiria em privilégios. Ele não modificaria a mensagem para se ajustar ao mundo, mas se comportaria de tal forma que jamais seria por si mesmo, um obstáculo a impedir que alguém ouvisse o evangelho e compreendesse a mensagem de Cristo. Paulo não falava de mundanizar, e sim de contextualizar. Vejamos a diferença entre mundanizar em contextualizar:

Contextualizar – significa integrar num contexto, numa situação na qual algo ocorre ou se insere4.

Mundanizar – incorporar em sua vida, tudo o que visa diminuir, apagar a comunhão com Deus. Ser moldado pela a busca do prazer acima de qualquer coisa5.

Como acontece a mundanização? Observe o relato abaixo com a experiência com as rãs: se colocarmos as rãs em um caldeirão de água quente, elas imediatamente pulam para escapar; porém, se as colocarmos na água fria e fizermos o aquecimento lento e constante da água, elas não se apercebem e acabam morrendo cozinhadas. É exatamente isso o que ocorre conosco, se não tomarmos as devidas providências!
Na linguagem bíblica passa-mos “a nós conformar com o mundo” Rm 12:2 1Rs 11:1-8;

TORNAMOS INSENSÍVEIS
É um dos resultados direto, não nos incomodamos mais com a injustiça social, com o sofrimento das pessoas, com o aumento da prostituição e tantas outras tragédias que afligem a sociedade. Ficamos insensíveis, amortecidos, indife-rentes e nada que não seja nós mesmos e não traga nosso bem estar nos incomoda. Veja se esses fatos lhe incomodam?

  • Em 1999 mais de 30 mil meninas de até 14 anos ficaram grávidas.

  • Segundo os dados da O. M. S. (Organização Mundial de Saúde) são provocados cerca de 50 milhões de abortos no mundo. No Brasil, estima-se que são provocados de 1,5 a 3 milhões por ano. Cerca de 440 mil mulheres precisam ser internadas por complicações do aborto e 1.500 morreram em 1994 em conseqüência do aborto.

  • Gravidez na adolescência – Brasil 1 milhão por ano dão a luz, no mundo 13 milhões (15 – 19 anos), ou seja, vivem em

  • 46.4milhões de pessoas no Brasil estão abaixo da linha da pobreza, ou seja, vivem em situação de miséria extrema.

  • O contexto brasileiro
O Brasil é um país místico, obcecado com o sobrenatural, considerado hoje o maior país espírita do mundo, com cerca de 5.500 centros espíritas espalhados pelo território nacional6. O culto de terreiro ligado ao culto afro é ainda muito maior.

  • Em 22 de março de 1993, o jornal O Globo informou que Brasília abriga 2.563 casas de candomblé e umbanda. O artigo trazia ainda uma lista de políticos que estão sempre em busca da ajuda dos orixás, tais como: Humberto Lucena, Esperidião Amin, José Sarney, Antônio Carlos Magalhães e vários outros7.

TORNAMOS ALIENADOS

A alienação da juventude tem sido uma das características de nossa geração. Não nos importamos com nada! Isto acontece com você? Veja se a afirmação abaixo reflete seu pensamento:
  • Não tenho opinião e não sei o que a Bíblia diz quanto à pena de morte, greve, aborto, clonagem a muitos outros assuntos. Isso não me importa!

PONTO PARA REFLEXÃO

    • Até que ponto dá para atender as exigências da moda?
    • Até que ponto é apenas cultural e a partir de que ponto é sensual?
    • Como ser luz no mundo, sem deixar que as trevas ofusquem o nosso brilho?
    • O que você acha do ficar “gospel”?
    • O que você acha de campo de nudismo “cristão” de casa noturna “evangélica”?
    • Estamos alcançando o mundo ou mundo está nos alcançando?
Um dos maiores desafios à contextualização cristã, é o crescimento “numérico” da igreja.
De acordo com a World Evangelization Crusade, o crescimento ainda é espantoso. Entre 1960 e 1970 o crescimento evangélico foi de 77%; entre 1970 e 1980 de 155%8.
A população evangélica no Brasil vem crescendo vertigino-samente. Já somos a terceira maior população evangélica no mundo. Com esses dados estáticos, os brasileiros se envaidecem. Torna-se uma faca de dois gumes. Começa a surgir os cristãos nominais, dificultando ainda mais o processo de contextualização.
O segredo da contextua-lização cristã é estar ancorado na rocha, é assumir Jesus em seu viver. Para que a igreja cresça numericamente e qualitativamente é necessário atentar para as seguintes condições:

A PRIMEIRA

Reforma: Definição – é a recupe-ração da verdade bíblica que leva à purificação de nossa teologia. Envolve a redescoberta da bíblia como juiz e guia de todo pensamento e ação.
Um paradigma bíblico extraído do antigo testamento. 2 Rs 22.11-13; 23.21-25.
A SEGUNDA

Reavivamento: É a aplicação da verdade da reforma à experiência humana. Pode ocorrer com pessoas isoladas, fazendo com que indivíduos se separem da apatia geral. Ou pode ocorrer em maior escala alterando radicalmente a face espiritual de toda uma igreja.


BIBLIOGRAFIA



ARAÚJO, de Paulo Andrade. Apostila – Exegese Gramatical e Teológica de 1 Corinto 11:5. p. 5.
ARGÜELO, Luís Alberto Díaz. Carvalho, Agnaldo Faissal J. e outros. Lições Bíblicas Dominical Jovens – Desafio da Contextualização. São José dos Campos – SP: Editora Cristã Evangélica, p. 8.
FERREIRA, Jailson. Pereira, Robson e outros. Lições Bíblica Dominical Jovens – O Desafio do Mundo pós-moderno. São José dos Campos – SP: Editora Cristã Evangélica, p. 16.
GOLDIM, Ricardo. O que os evangélicos não falam. Minas Gerais – MG: Ultimato p. 26.
JR, John F. Macartur. Com vergonha do evangélico – Quando a igreja se torna como o mundo. 1ª edição em português, São José dos Campos – SP: Editora Fiel 1997.
HORTON, Michael Scott. Religião de Poder – Igreja sem fidelidade bíblica e credibilidade no mundo. 1ª edição, São Paulo – SP: Editora Cultura Cristã 1998.
ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em crise – Decadência Doutrinária na Igreja Brasileira, 4ª edição. São Paulo – SP: Editora Mundo Cristão. 1999.
1 Horton, Michael Scott. Religião de Poder – A igreja sem fidelidade bíblica e sem credibilidade no mundo. 1ª edição, São Paulo – SP: Editora Cultura Cristã 1998.

2 Araújo, de Paulo Andrade. Apostila – Exegese Gramatical e Teologia de 1 Corinto 11:5, pág 5.

3 Jr, John e Marcartur. Com vergonha do evangelho – Quando a igreja se torna como o mundo. 1ª em português, São José dos Campos – SP: Editora Fiel 1997.

4 Ferreira, Jailson. Pereira, Robson Costa e outros. Lições bíblica dominical jovens – O Desafio da contextualização. São José dos Campos – SP: Editora Cristã Evangélica – Pág 8.

5 Arguelo, Luís Jovens – O desafio do mundo pós-moderno. São José dos Campos – SP: Editora Cristã Evangélica, Pg. 18.

6 Romero, Paulo. Evangélicos em crise. Decadência doutrinária na igreja brasileira. 4ª edição. São Paulo – SP: Editora Mundo Cristão 1999.

7 Jornal O Globo. (22 de março de 1993) p. 4

8 Goldim, Ricardo. O que os evangélicos não falam. Minas Gerais – MG: Ultimato. P. 26.

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